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sexta-feira, 25 de março de 2011

5) O DIA SEGUINTE

Pude sentir a  primeira mudança no Morro do Alemão antes mesmo de chegar à favela.

Ainda era início da manhã de segunda-feira e o trânsito na ruas próximas  já estava horrível. Demoramos quase uma hora para percorrer o trajeto que antes fazíamos na metade do tempo. Mas a medida que nos aproximamos, percebi que o congestinamento era, por incrível que pareça, um bom sinal. Era provocado pelos ônibus que tinham voltado a circular e também por veículos e máquinas da Prefeitura que seguiam para a favela para tentar minimizar o estrago feito pelos traficantes pouco antes de fuga. A vida por aqueles lados começava a voltar ao normal.

Dentro da favela, as mudanças continuavam: as crianças, muitas já de férias, saíam de casa para brincar e comerciantes começavam a abrir as portas. As ruas estavam ocupadas por policiais e por homens das Forças Armadas que continuavam fazendo buscas à procura de armas e drogas abandonadas pelos bandidos.

Começaram a surgir denúncias de abuso de autoridade. Moradores reclamavam que policiais tinham arrombado a porta das casas. Na verdade, na maioria dos casos, o que acontecia era um problema tão particular quanto aquela situação.

Era segunda-feira, e os moradores precisavam ir trabalhar. Eles saíam e deixavam a casa trancada. Por outro lado, os policiais responsáveis pelo patrulhamento tinham a missão de revistar casas, já que que traficantes e armamentos poderiam estar escondidos em qualquer lugar. Eles batiam na porta da casa, ninguém respondia, eles arrombavam. E quando o morador voltava do trabalho, encontrava a porta destruída e os móveis revirados ( isso quando não sumiam objetos pessoais, já que a casa ficava aberta).

Muitos começaram a deixar bilhetes na porta de casa que avisavam"senhores policiais, essa casa já foi revistada. Saí para trabalhar" ou "Há crianças dormindo". Mas como saber se as mensagens eram verdadeiras?

Enquanto tentava entender este problema, surgiu uma denúncia grave. Estávamos, eu e o cinegrafista Dil Santos, caminhando pela favela  quando um morador nos abordou perguntando se nós sabíamos  da história do Raimundo. Que história? Eu não sabia de nada, respondi. Ele contou que o Raimundo era um morador antigo, tinha um bar no primeiro andar da casa e foi acusado por um policicial de ser informante de traficante. Este policial teria agredido o homem e feito uma ameaça: se ele não deixasse a favela nos próximos dias, seria morto.

A denúncia era grave e partimos em busca do Raimundo. Pergunta daqui, e de lá, conseguimos chegar até a casa dele. Encontrei Raimundo na porta do bar, que estava fechado. Assim que o vi, o seu rosto me pareceu familiar. Me apresentei e comentei que tinha a impressão de que o conhecia. Raimundo respondeu desconfiado, ainda estava muito abalado com tudo o que aconteceu.

Aos poucos, fomos conversando e ele me contou a história. A casa dele ficava bem perto de uma boca de fumo. Além de vender a droga, os traficantes ainda usavam uma espécie de galpão ao lado para embalar cocaína e maconha. Resultado: todos os bandidos frequentavam o tal bar do Raimundo. " E como eu não vou vender cerveja para esses caras? Imagina o que ia me acontecer se eu fizesse isso? ", indagava o comerciante.

Ele contou que no dia da ocupação várias tropas policiais entraram na casa em que ele vivia com a mulher e os três filhos. Primeiro veio a Civil, revistou o local, nada encontrou e foi embora, com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) aconteceu o mesmo, mas no fim do dia, dois policiais militares entraram dizendo que sabiam que ele escondia drogas. Mesmo sem terem encontrado nada continuavam insistindo na denúncia até que um deles fez a ameaça de que Raimundo e a família teriam que sair da favela em uma semana.

Raimundo, um paraibano de olhos claros de cerca de 50 anos, contava essa história aos prantos, diante do olhar desesperado da mulher e dos três filhos.Disse que tinha procurado o comandante do Batalhão de polícia da área e que este tinha lhe dito para ficar tranquilo, que nada ia  acontecer. Mas ele não tinha conseguido dormir direito, não sabia o que fazer.

Olhando aquele homem, pai de família, desabafando, eu consegui finalmente lembrar de onde o conhecia: era o Raimundo, dono da barraca da praia que eu frequentei durante toda minha adolescência. Ficava na praia de Ipanema, no posto 10, em frente a Rua Aníbal de Mendonça. Assim que falei com ele, Raimundo lembrou de mim, dos meus amigos, namorados.

O rosto se abriu num sorriso, contou que há uns seis anos tinha perdido a licença da prefeitura e então montara o bar no andar térreo da casa.  Ele virou para a mulher e disse " Ela me ajudou a construir a nossa casa. Muitos tijolos desses foram pagos com a água de coco dela". Ofereceu um refrigerante para mim e para o meu cinegrafista. Sem jeito, declinamos"Imagina, Raimundo, você com esse problema, o bar fechado, não precisa". Mas enquanto eu falava, ele já estava pegando as bebidas. Também não adiantou insistir em pagar, ele nem quis ver o dinheiro.  "Questão de honra", me respondeu com um sorriso no rosto.

Neste endereço, você asssite à reportagem que mostra como foi o dia seguinte à oucpação da polícia no Morro do Alemão.
http://www.youtube.com/watch?v=FlArjta7Wrw

ESTA HISTÓRIA CONTINUA EM "AS CRIANÇAS DO ALEMÃO"

Um comentário:


  1. _wikifeetMSN band 1 <<< http://diariosdereporter.blogspot.com/2011/03/o-dia-seguinte.html?m=0#comment-form [ NÃO TEM COM LARGAR DE SEUS PÉS JACQUELINNESTEFANNO POIS FAÇO LHE APARECER A ALL THEMP A MY EYS OLHOS My COVINHA #FACEÀFACE_COMING_UP #ICANNONGOODSANTOSROCHA https://twitter.com/connan84917287/status/1215210959066877952 http://mobile.twitter.com/CFaixada?p=s Ana Flávia Simões (@anaflavias_) Tweeted: 😏 oiê! https://t.co/QeAEpQELxm https://twitter.com/anaflavias_/status/1215038927926546432?s=20 _wikifeet10 <<< http://www.instagram.com/p/B7F_t08nJvm [ _wikifeet100Mila Kunis's ☆ http://www.wikifeet.com/Mila_Kunis#&gid=1&pid=1275553 ☆ Feet << wikiFeet ] OKAY Foto do Instagram de mozilacannon • 9 de janeiro de 2020 às 06:21 ] Diários de uma repórter: 5) O DIA SEGUINTE

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